<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851</id><updated>2011-04-21T11:11:20.822-07:00</updated><category term='Artigo'/><title type='text'>Emmanuel Mello</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-7861690652496946770</id><published>2008-06-01T08:44:00.000-07:00</published><updated>2008-06-01T13:03:46.231-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style=""&gt;&lt;div style="" id="ftn5"&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText"&gt; &lt;st1:personname productid="�眨ቕ�䊮ↈ䇽ꎹ阌솾"&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent3" style="text-align: center; text-indent: 0cm; line-height: normal;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O escândalo da psicanálise e sua “via pioneira”: três tempos de uma trajetória lacaniana.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;“&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade&lt;span style=""&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;,&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;1&lt;/span&gt; tese de doutoramento em psiquiatria, deixa claro que os primeiros trabalhos de Lacan que incluíam a pesquisa psicológica traziam a psicanálise apenas como coadjuvante de uma tarefa maior: retirar a psicologia do reducionismo biologizante, do naturalismo psicológico, que a medicina, mais especificamente a psiquiatria, à vinha colocando. O objetivo seria o de incluir o sujeito na gênese de sua morbidez e o apoio a essa tarefa Lacan não retirará ainda da psicanálise. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para construir uma psicologia não reduzida ao realismo biológico uma porta de saída mais próxima e mais atualizada seria a das produções e pesquisas instigantes das ciências sociais e da antropologia que percebiam a experiência humana como fruto de emaranhado social e da relação do indivíduo com esse emaranhado. Lacan deparava-se com os benefícios e com as possibilidades de incluir em sua tarefa os avanços de uma teoria que pudesse dar conta da forma como o individuo percebe o mundo, como ele se percebe neste mundo e como se sente percebido por ele. Essa relação especular abre caminho para o primeiro grande movimento de Lacan no campo da psicologia não reducionista, a saber, a fundação de uma teoria do imaginário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esse recurso à uma visão sociológica poderia não ser motivado apenas por interesses intelectuais de Lacan. Notadamente, é seu engajamento clínico que o obriga a recorrer às ciências humanas. Um engajamento clínico associado à sua preocupação em re-introduzir na medicina a problemática do sujeito; de um sujeito como participante ativo da construção da realidade que lhe atravessa. Uma psiquiatria naturalista e biologizante não pode suportar a participação do sujeito na sua morbidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Contudo, a introdução da questão do sujeito traz consigo problemas sérios em termos metodológicos. Primeiramente, estabelecer o sujeito como objeto além de formalmente contraditório, implica a imposição de uma objetividade artificial ao sujeito do experimento que coloca em risco a viabilidade mesma desse experimento. Em segundo lugar, como vencer a complexidade da legitimação dos dados de uma pesquisa em que um objeto (o sujeito) está tão apto a adaptar-se à lógica do experimentador e oferecer-lhe o resultado que espera ­­– posto que recebeu dele as categorias que balizam a formulação dos problemas?&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;2&lt;/span&gt; Nos anos subseqüentes à sua tese, Lacan dedicar-se-á, em parte, a resolução deste problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É na tentativa de reintroduzir o sujeito na medicina que a antropologia (notadamente a teorias em torno da questão do dom de Marcel Mauss) ganhará lugar de destaque. A hipótese da tese é de que não só a psicose é um fenômeno de conhecimento mas, o conhecimento humano como um todo é essencialmente paranóico, posto que insiste em supor uma rigidez ilegítima na realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoBodyTextIndent2" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Temos então um primeiro momento das investigações de Lacan que poderia ser definido como um “olhar” para fora da psiquiatria, em direção ao campo das ciências antropológicas, como forma de incluir uma subjetividade no doente – coisa que a psiquiatria insistia em não reconhecer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoBodyTextIndent2" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A psicanálise ainda não tem lugar privilegiado, mas compõe um quadro de alternativas. Porém, é em 1936 no artigo “Além do ‘princípio de realidade’”, onde podemos perceber a teoria freudiana sendo tomada como um tipo de psicologia bem-sucedida. Nas palavras de Lacan: &lt;i&gt;“A psicologia constitui-se como ciência quando a relatividade de seu objeto é por Freud postulada, ainda que restrita aos fatos de desejo.”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"  style="font-size:100%;"&gt;3&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Desde a tese Lacan procura demonstrar que, antes de ser reduzido a epifenômenos de processos neurais, os sintomas psicóticos possuem uma dimensão significativa, significável. Isso possibilitaria não só incluir a psicanálise no quadro de seus aliados mas também dedicá-la&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;a partir de agora, algum destaque, pois o que Freud havia demonstrado na sua teoria era que o sintoma psicológico traz consigo um sentido, uma significação. Ao propor que as relações de objetos são contingentes em grande medida aos modos de significação da realidade Freud abria espaço e avanço na tentativa de apreensão objetiva do sentido na investigação dos fenômenos psíquicos. Com afirma Lacan naquela altura: &lt;i&gt;“A nova psicologia não reconhece à psicanálise apenas o direito de cidadania; recortando-a incessantemente no progresso de disciplinas oriundas de outros âmbitos, demonstra seu valor de via pioneira”&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;4&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A psicanálise, para Lacan, tem algo a dizer. A psicanálise se mostrava uma grande ferramenta. No entanto, dado o espírito científico de Freud, ela ainda estava presa demais à necessidade de responder aos problemas usando duas vias que, para Lacan, eram por demais complicadas, a saber, os pressupostos biológicos, por um lado, e um certo ranço metafísico da psicologia abstrata por outro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entramos, assim, num segundo momento. A psicanálise só serviria a Lacan se ela pudesse ser retirada do obscurantismo e do sentimentalismo com que vinham sendo tratados os seus temas cruciais. É necessário então submetê-la ao rigor epistemológico da filosofia e com isso poder garantir um certo lugar mais digno para a descoberta de Freud.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É sua freqüência ao curso de Alexander Kojève, “Introdução à leitura de Hegel”, proferida nesta época (1934) na escola de Altos Estudos de Paris que lhe permitiu iniciar-se na filosofia hegeliana e interrogar-se sobre a gênese do eu por intermédio de uma reflexão filosófica concernente à consciência de si. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Kojève possibilita a Lacan estabelecer um elo entre o desejo baseado no reconhecimento (ou desejo do desejo do outro) e o desejo inconsciente (realização no sentido freudiano). Era a possibilidade de utilizar o discurso filosófico para conceituar uma visão freudiana que lhe parecia insuficiente e, ao mesmo tempo, antropologizar o desejo humano, ainda que colocando-o no lugar da consciência hegeliana que remetia a descoberta vienense a uma idéia de desejo inconsciente que mais tarde foi problematizada dentro de uma perspectiva fenomenológica. É pública e notória a influência de Kojève na construção de um dos pilares de todo edifício teórico lacaniano: a noção de desejo e sua relação com o seu conceito de subjetividade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoBodyTextIndent2" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ganha espaço uma teoria do imaginário do sujeito, onde o “eu”, longe de ser um núcleo essencial da natureza humana, reduz-se a projeções identificatórias de um sujeito com um outro especular da mesma espécie. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoBodyTextIndent2" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É sob esses efeitos que Lacan apresenta, em 1936, por ocasião do congresso de Marienbad, a primeira formulação de sua famosa teoria do “estágio do espelho” num trabalho intitulado &lt;i&gt;“O estádio do espelho como formador da função do eu”&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;5&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entre os 6 e os 18 meses de idade a criança forma uma representação de sua unidade corporal por identificação com a imagem do outro. O que antes era uma vivência de um corpo despedaçado transforma-se, por um processo de identificação ao outro, numa primeira demarcação de si. Ao procurar a realidade de si, ela encontra apenas a imagem do outro com a qual se identifica e na qual, por isso mesmo, se aliena. A experiência exemplar que marca esta fase é a da satisfação que a criança tem ao perceber sua própria imagem num espelho. Será, então, na relação com esse outro especular, mas também nos equívocos, nos conflitos, enfim, nos impasses dessa relação com o outro, um outro que lhe é próximo, familiar, que um indivíduo pode começar a se constituir como “si mesmo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No entanto, a experiência do espelho, enquanto fato empírico, não é, para Lacan ainda suficientemente capaz de proporcionar uma conceitualização teórica sobre o narcisismo primário. O que ela assinala é um tipo de relação inaugural do indivíduo com seu semelhante através da qual ele demarca a totalidade do seu corpo. Não há um sujeito ainda aqui, apenas algo da ordem de uma “matriz simbólica”. Está, portanto, tudo preparado para a chegada do simbólico e para a constituição de um sujeito, a partir de sua imersão na linguagem, como afirma Lacan: &lt;i&gt;“A assunção jubilatória de sua imagem especular por esse ser ainda mergulhado na impotência motora e na dependência da amamentação que é o filhote do homem nesse estágio de &lt;/i&gt;infans&lt;i&gt; parecer-nos-á pois manifestar, numa situação exemplar, a matriz simbólica em que o [eu] se precipita numa forma primordial, antes de se objetivar na dialética da identificação com o outro e antes que a linguagem lhe restitua, no universal, sua função de sujeito.”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"  style="font-size:100%;"&gt;6&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lacan se dá conta de que a teoria do imaginário não comporta a complexidade do filhote humano. Esse imaginário não oferece uma determinação tal que se produza uma regulação da conduta como no caso dos animais. Também a forma como o imaginário incide sobre ele, isto é, o fato de não ter seu interesse diminuído mesmo depois de saber ser um reflexo o que tem a sua frente, além da “assunção jubilatória” que marca profundamente essa sua descoberta, já são suficientes para perceber que o imaginário no homem não funciona da mesma maneira que no animal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas em 1949 impulsionado por sua leitura da “&lt;i&gt;Estruturas elementares de parentesco&lt;/i&gt;”, de Claude Lévi-Strauss, pai do estruturalismo, Lacan começa a dar corpo à sua noção de simbólico, sugerindo uma nova concepção da alteridade e de intersubjetividade que desembocaria na invenção do termo “grande Outro” e que se distanciaria radicalmente de todas as concepções pós-freudianas da relação de objeto que estavam em vigor na época. Além das representações do eu, especulares ou imaginárias, o sujeito é determinado, segundo Lacan, por uma ordem simbólica designada como “Lugar do Outro”, perfeitamente distinta do que é do âmbito de uma relação com o outro. Para Lévi-Strauss a cultura é um conjunto de sistemas simbólicos constituídos muito antes de traduzirmos um dado externo &lt;st1:personname productid="em s￭mbolos. S￳" st="on"&gt;em símbolos. Só&lt;/st1:personname&gt; há social porque há um pensamento simbólico, uma função simbólica que constitui o fato cultural ou social. Assim, influenciado pelas idéias do lingüista russo Roman Jakobson juntamente com sua leitura de Freud, é Lévi-Strauss quem primeiro estabelece as ligações entre inconsciente e linguagem que tanto interessaram a Lacan. Como afirma o próprio Lévi-Strauss: &lt;i&gt;“O período de 1920-1930 foi o das teorias psicanalíticas na França. Por meio delas, aprendi que as antinomias estáticas em torno das quais nos aconselhavam a construir nossas dissertações filosóficas e mais tarde nossas lições — racional e irracional, intelectual e afetivo, lógico e pré-lógico — não eram mais que um jogo gratuito. Antes de mais nada, além do racional, existia uma categoria mais importante e mais válida, a do significante, que é a mais alta maneira de ser do racional...”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"  style="font-size:100%;"&gt;7&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A antropologia social de Lévi­­-Strauss e a lingüística moderna de Jakobson (discípulo e divulgador de Ferdinand Saussure e de seu &lt;i&gt;Curso de Linguística Geral&lt;/i&gt;) acenam com a possibilidade de encarar o conceito de inconsciente enquanto uma forma, enquanto algo estruturado por leis de articulação, estruturado pelas mesmas categorias com que a linguagem encadeia seus símbolos, seus signos, seus significados e seus significantes.&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"  style="font-size:100%;"&gt;8&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; A &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;constituição do inconsciente (e, evidentemente, também do consciente) só é possível, assim, por um acesso ao simbólico – quando da aquisição da linguagem – e frutos de um mesmo ato e, portanto, não um como epifenômeno do outro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O estruturalismo, ou mais especificamente, as ciências das estruturas da linguagem será, para Lacan, aquilo que faltou a Freud para que ele enunciasse o inconsciente como uma relação entre significantes: &lt;i style=""&gt;“O inconsciente, a partir de Freud, é uma cadeia de significantes que em algum lugar (numa outra cena, escreve ele) se repete e insiste, para interferir nos cortes que lhe oferece o discurso efetivo e na cogitação a que ele dá forma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Nessa fórmula, que só é nossa por ser conforme tanto ao texto freudiano quanto à experiência que ele inaugurou, o termo crucial é o significante, ressuscitado da retórica antiga pela lingüística moderna, numa doutrina cujas etapas não podemos assinalar aqui, mas da qual os nomes de Ferdinand de Saussure e Roman Jakobson indicarão a aurora e a culminância atual, lembrando que a ciência-piloto do estruturalismo no Ocidente tem suas raízes na Rússia em que floresceu o formalismo. Genebra, 1910, e Petrogrado, 1920, dizem bem por que seu instrumento faltou a Freud.”&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;9&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era preciso mostrar que um futuro possível e duradouro para a psicanálise dependeria de retirar-lhe o ranço biologista e o obscurantismo metafísico tão prejudiciais à uma disciplina que se deseja como uma ciência séria – a contribuição do estruturalismo poderia ajudar abundantemente nesta tarefa. Ao mesmo tempo, tratava-se de demonstrar como Freud, ao buscar um sentido no sintoma, havia antecipado as bases em que se apoiavam o estruturalismo. &lt;i style=""&gt;“Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise”&lt;/i&gt; é apresentado em setembro de 53 e marca, a partir do próprio título, a aposta de Lacan nesta contribuição e os alicerces do seu “retorno a Freud”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Retornar a Freud seria retornar ao caminho que Freud havia estabelecido; retornar ao modo de concepção teórica e clínica da subjetividade compatível com o rigor e a grandeza da empreitada que Freud havia iniciado. Também significava re-significar a maioria do aparelho conceitual freudiano numa abordagem mais rigorosa; reconduzir seus conceitos, trazê-los a uma linguagem mais moderna e antenada às descobertas das ciências do homem. Era necessário perceber a indiscutível influência que o simbólico exerce sobre a constituição do humano e como a linguagem lhe serve não só como um mediador com o mundo, mas, e muito mais profundo do que isso, como essa relação com o mundo é, por sua vez, estruturada a partir de um modo de apreensão e assimilação inconsciente calcada nos mesmos processos encontrados na linguagem. Para Lacan, era isso que Freud prenunciava, ao dar na sua clínica, lugar para a fala, ao perceber o caráter literário do sonho e ao propor uma interpretação para o relato do drama que o sujeito oferece ao analista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em segundo lugar, era preciso restituir o verdadeiro sentido que Freud havia dado ao “eu”&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"  style="font-size:100%;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;sup&gt;0&lt;/sup&gt; como um processo secundário e sintomático ao aparelho psíquico. O “eu” não poderia mais ser entendido como o núcleo essencial do homem, o centro de comando, que deveria ser reforçado para ganhar autonomia. Reforçar o “eu”, além de implicar no reforço de um sintoma, demonstrava a que patamar de desinteresse o inconsciente havia sido relegado por seus contemporâneos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A leitura dos textos de Freud é exigida como condição “&lt;i style=""&gt;sine qua non”&lt;/i&gt;. Era importante retornar à letra de Freud, saber o que ele escreveu, lê-lo com mais atenção. O “retorno a Freud” marca o início do que poderíamos chamar de um ensino lacaniano e coincide com a inauguração de seus seminários, a forma mais característica deste ensino. Os seminários começam totalmente dedicados à elucidação de textos como “As Conferências introdutórias”, “Estudos sobre Histeria”, “A interpretação dos Sonhos”, enfim, textos que tratem, é claro, da técnica inaugurada por Freud. O objetivo era o de demonstrar certo descaminho da psicanálise ao desejar “restituir” uma suposta soberania do “eu” perdida com a neurose. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O que temos até aqui? Vemos como a psicanálise passa de mera coadjuvante a personagem principal no interesse epstêmico-clínico de Lacan. Penso que podemos definir este processo que culmina com o lema de “retorno a Freud” como uma tentativa de dar dignidade à psicanálise; torná-la aceitável como empreendimento investigativo da subjetividade humana. A “releitura” pode ser entendida neste momento como uma depuração dos termos freudianos, usando, para isso, toda a gramática das ciências sociais e da filosofia. Trata-se de demonstrar que a psicanálise pode concordar, com o panteão filosófico da mordenidade. Era preciso iluminar a psicanálise, esclarecê-la. Era preciso retirá-la do obscurantismo fazendo-a se encontrar com a Aufklärung&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"  style="font-size:100%;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Porém, em 1957, Lacan publica um artigo que pode ser tomado como emblemático de uma clara mudança. Trata-se de &lt;i&gt;“A instância da letra no inconsciente ou a razão desde de Freud”&lt;/i&gt;. Por um lado Lacan pretende demonstrar que o inconsciente, tal como Freud o pressupôs, traz em si, na sua estrutura, a incidência da relação do sujeito com o simbólico, que o estrutura da mesma forma que a linguagem – o que obrigaria por parte dos pós-freudianos a uma reformulação dos seus conceitos. Como ele mesmo afirma: &lt;i&gt;“Nosso título deixa claro que, (...), é toda a estrutura da linguagem que a experiência psicanalítica descobre no inconsciente. Pondo desde logo o espírito prevenido em alerta, porquanto é possível que ele tenha de reavaliar a idéia segundo a qual o inconsciente é apenas a sede dos instintos.”&lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por outro lado, é também no seu título que Lacan deixa claro que a descoberta freudiana, o inconsciente, marca uma inovação sem precedentes na história do pensamento humano. Depois de Freud, a razão não seria mais a mesma. Não se trata somente de dizer com Freud que o inconsciente é um pensamento sem consciência, mas, muito mais do que isso, dizer que o objeto caro à toda tradição filosófica desde a antiguidade, estandarte do pensamento ocidental e defendida a ferro e fogo na modernidade, depois de Freud, estaria marcada por uma divisão. Freud revelaria a verdade que toda filosofia ocidental insistia em não querer saber, ou seja, que o sujeito pensa no inconsciente: &lt;i&gt;“... penso onde não sou, logo sou onde não penso”&lt;/i&gt;. É a subversão do cogito cartesiano &lt;i&gt;“penso, logo sou”&lt;/i&gt;, e uma subversão de toda idéia de subjetividade da modernidade. Esse seria, de fato, o grande escândalo que a psicanálise deixou a descoberto e que o leva a afirmar: &lt;i&gt;“Foi esse o grande abismo aberto ao pensamento de que um pensamento se fizesse ouvir no abismo que provocou, desde o início, a resistência à análise. E não, como se costuma dizer, a promoção da sexualidade no homem. (...) E a evolução da psicanálise conseguiu, por um cômico passe de mágica, fazer dela uma instância moral, berço e lugar de expectativa da oblatividade e da amância”.&lt;sup&gt;13&lt;/sup&gt;&lt;/i&gt;&lt;sup&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos encontramos, agora, no centro do que classifico aqui de um terceiro momento. A Psicanálise traz algo verdadeiramente novo ao cenário das disciplinas modernas. Ela não pode ser reduzida nem a uma disciplina psicológica, nem a uma ciência social e muito menos à uma filosofia. Ao introduzir seu conceito de inconsciente, Freud inaugura uma nova modalidade de entendimento da subjetividade humana onde o que traz a verdade de um sujeito não é sua consciência, não é a imagem que traz de si, mas o inconsciente, a “outra cena”, onde o sujeito pensa sem consciência e produz um saber que desconhece.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Neste terceiro momento, configura-se de maneira decisiva a separação entre o ensino lacaniano e o universo dos psicanalistas pós-freudianos. Abre-se aqui o trilhamento futuro que desembocaria nos grandes temas da reflexão lacaniana, tais como, a pulsão de morte, o gozo, fantasia, desejo e etc...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para concluir ressaltaria que o movimento que Lacan faz em direção à psicanálise pode contribuir para uma reflexão sobre o lugar da invenção freudiana no conjunto das disciplinas dedicadas ao conhecimento humano. Ela não se acomoda em nenhuma classificação generalista. Não é filosofia, nem ciência natural, muito menos uma pedagogia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Além disso, a maneira como Freud propõe o inconsciente faz também com que nunca possamos identificar um tratamento analítico a uma psicoterapia. O inconsciente é aquilo que distancia a psicanálise de todo ideal promovido pelas diversas psicoterapias e tratamentos afins. Ainda hoje o inconsciente é um escândalo do qual a cultura tenta livrar-se. Talvez seja por isso que de tempos em tempos decreta-se a morte da psicanálise e o surgimento de uma nova maneira de tratar os conflitos do sujeito – tratamentos estes que não passam de repetição, “mais do mesmo” de um modo de abordagem do sofrimento humano que insiste em ignorar o sujeito transformando-o num objeto do gozo de um outro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Aquilo que acompanha Lacan desde o início de sua inserção na psicanálise permanece vivo ainda hoje como o que pode fazer sustentar a pertinência da psicanálise: a defesa de uma subjetividade que inclua uma marca de diferença absoluta, isto é, seu inconsciente – e isso contra toda tentativa de objetivação dessa diferença.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2"  style="text-align: justify; text-indent: 42.9pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoEndnoteText" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Emmanuel Nunes de Mello&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: arial;font-family:arial;"  class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1. LACAN, J., &lt;i style=""&gt;Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade&lt;/i&gt;. Rio de Janeiro, Forense-Universitária, 1987.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;2. SIMANKE, R&lt;b&gt;&lt;i style=""&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;Metapsicologia Lacaniana: Os anos de formação&lt;/i&gt; – São Paulo: Discurso Editorial; Curitiba: Editora UFPR, 2002, pág. 154&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;3. LACAN, J., &lt;i style=""&gt;Formulações sobre a causalidade psíquica&lt;/i&gt; , in &lt;i&gt;Escritos&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;–&lt;/i&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998, pg 73. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;4. idem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;5. O texto publicado em seu &lt;i&gt;Ecrits&lt;/i&gt; em 1966 é uma retomada do original para ser apresentado no Congresso internacional de Psicanálise em Zurique em 1949, 13 anos depois de sua primeira apresentação. &lt;st1:personname productid="�眨ቕ�䊮ↈ䇽ꎹ阌솾"&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;6. LACAN, J., &lt;i style=""&gt;O estágio do espelho&lt;/i&gt; , in &lt;i&gt;Escritos&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;–&lt;/i&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., pág. 97&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;7. LÉVI-STRAUSS, C. &lt;i style=""&gt;Tristes trópicos&lt;/i&gt; – São Paulo, Anhembi. 1957, pág. 53&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;8. SIMANKE, R., &lt;i style=""&gt;A letra e o sentido do “retorno a Freud”de Lacan: a teoria como metáfora&lt;/i&gt;, in SAFATLE, V. (org.),“Um limite tenso: Lacan entre a filosofia e a psicanálise” – São Paulo: Editora Unesp, 2003, pág. 283&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;9. LACAN, J., &lt;i style=""&gt;Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano&lt;/i&gt;, in &lt;i&gt;Escritos&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;–&lt;/i&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.. &lt;span style="" lang="EN-US"&gt;pág. 813&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;10. Lacan rejeita a tradução inglesa que havia latinizado termos que o próprio Freud havia concebido em linguagem comum. Assim é que ao invés de &lt;i style=""&gt;id, ego e superego&lt;/i&gt;, Lacan, preferia os termos &lt;i style=""&gt;isso, eu e supereu&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;11. Esclarecimento, termo alemão para o iluminismo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"  style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;12. “A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText" face="arial" style="text-indent: 89.7pt; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;13. LACAN, J., &lt;i&gt;A instância da letra no inconsciente ou a razão desde&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Freud&lt;/i&gt;, in &lt;i&gt;Escritos&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;–&lt;/i&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., pág. 527&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-7861690652496946770?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/7861690652496946770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=7861690652496946770' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/7861690652496946770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/7861690652496946770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2008/06/o-escndalo-da-psicanlise-e-sua-via.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-3671752373866907258</id><published>2008-05-22T14:22:00.000-07:00</published><updated>2008-05-22T14:23:30.739-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Que justiça queremos para Isabella?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;A maciça exposição do caso Isabella coloca-me algumas questões sobre a natureza humana. É quase impossível ficar insensível diante de tamanha barbárie, truculência e desprezo pela vida. Mas devo confessar também que algo além disso me assusta. O que faz com que pessoas se desloquem de vários pontos do país com o único objetivo de montar guarita na porta da casa dos maiores suspeitos exigindo mais do que justiça, vingança? Mais do que serem presos, muitos desejam que eles passem pelo menos algum tempo numa cadeia pública para que a justiça da bandidagem encarcerada se exerça e eles paguem com muito sofrimento o mal que supostamente infligiram à menina indefesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;É preciso ir com calma. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Todos sabemos que existe uma lei tácita que habita as carceragens. Sabemos como os presos julgam os casos de violência contra crianças. Minha pergunta, porém, é: afinal, que sociedade pode ser sustentada diante da esperança de que alguém seja julgado pelos que, justamente por desafiarem a lei, por não aceitarem o contrato social, precisam ser afastados do convívio com os outros? Nem todos que estão presos são perversos irrecuperáveis e acredito mesmo que a sociedade deve dar uma nova oportunidade para muitos deles retomarem sua vida de forma digna. No entanto, para longe de toda discussão sobre os motivos que levam um sujeito a se envolver com o crime, é inegável que um contingente enorme da população carcerária tem desprezo pelas balizas morais e pelos limites sociais. O que me recuso a aceitar é que nos sintamos tão desamparados pela justiça formal que ventilemos a possibilidade de que a justiça com as próprias mãos seja o único caminho possível de retaliação. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Freud dizia que a sociedade fundou-se pelo recalque dos instintos mais violentos. Foi justamente reprimindo sentimentos de ira, de destruição do outro e de violência, que os acordos sociais puderam ser estabelecidos. Isso certamente trouxe conseqüências funestas tanto individuais quanto coletivas. Uma delas são vistas nestes momentos ou como no caso do pai austríaco que violentava sua filha por vinte quatro anos e teve seis filhos com ela. A neurose, em seus mais variados graus, é fruto de sentimentos que os sujeitos inconscientemente decidem reprimir para sentirem-se aceitos e para aceitarem seus pares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;No entanto, não podemos dizer que Freud preferia a barbárie à civilização. Não se trata de dizer às pessoas “vamos, vivam sem recalques e repressões, façam o que quiserem pois assim serão felizes”. De forma alguma. Se há o recalque, há também a sublimação, como a da arte, por exemplo. Há também a psicanálise como forma de tratamento do reprimido.&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Nossa sociedade, por mais injusta, corrupta e violenta que seja, conquistou progressos morais e sociais inegáveis. Não podemos ser a geração que abrirá mão deles. Não podemos entregar a justiça aos bandidos, assim como não podemos entregar nossos governos, nossos parlamentos, nossos votos nas mãos daqueles que vão denegrir centenas de anos de esforço em direção a uma sociedade mais justa. Se fizermos isto, perderemos a conta das “Isabellas” que ainda sofrerão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-3671752373866907258?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/3671752373866907258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=3671752373866907258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/3671752373866907258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/3671752373866907258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2008/05/que-justia-queremos-para-isabella-macia.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-7485955945883558887</id><published>2008-04-08T11:17:00.000-07:00</published><updated>2008-04-08T11:19:23.320-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Uma ética para os tempos de decepção&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já nos esquecemos mas há poucos meses o senado federal passou por mais uma prova de sua capacidade como representante do povo: o julgamento do senador Renan Calheiros em seção fechada. Renan saiu vitorioso e o sentimento de derrotado caiu no colo da imensa maioria do povo brasileiro indignada em ter como senador da República alguém com tantas suspeitas de negociatas ilícitas. Passado tanto tempo, esquecemos que Renan continua lá.&lt;br /&gt;Nossa frustração com a baixa política tupiniquim pode nos fazer escorregar para um posicionamento perigoso não só no que diz respeito ao nosso papel como cidadãos mas, também na vida particular: o cinismo – resposta à frustração típica de nosso tempo.&lt;br /&gt;Convivemos com uma angústia herdada de questões surgidas na modernidade quando a “verdade” se tornou um conceito problemático. No séc. XX a segunda grande guerra deixa como resto mundo descrente das utopias, dos ideais e da idéia de uma humanidade em constante progresso moral. Porém, que tipo de sujeito é esse que não acredita em utopias sociais e em nenhuma grande ideologia social? Que tipo de sociedade ou política pode surgir daí? Que tipo de humanidade?&lt;br /&gt;A queda dos ideais produz em nossas sociedades “pós-modernas” algo ainda mais perigoso: o enfraquecimento da palavra e do compromisso com aquilo que se diz. O exemplo proveniente do senado federal é no mínimo emblemático onde o acusado não se sente obrigado, muito menos constrangido a responder de forma clara às acusações que lhes são imputadas. Basta-lhe o ditado de que uma mentira dita cem vezes torna-se verdade.&lt;br /&gt;De fato, a queda das utopias e das garantias de um mundo perfeito faz surgir como resposta basicamente dois fenômenos, duas vertentes de uma mesma angústia, a saber, o radicalismo e o cinismo.&lt;br /&gt;O radicalismo é uma negação pela via do “não pode ser que não haja garantias” e, sendo assim, agarro-me por decreto à qualquer discurso que a prometa. Nego a perda de garantias para de alguma forma iludir ou dissimular a sua ausência.&lt;br /&gt;O cínico por sua vez, não crê em garantias, mas sua resposta é o deboche. Não se acredita que alguém vá mesmo cumprir o que disse ou que seja punido por contrariar a lei. No cinismo a lei e a moral são fracas assim como a palavra e se não há garantias, também não há compromisso nem por que se comprometer com nada.&lt;br /&gt;No entanto, a queda das utopias e a perda das garantias não precisam lançar-nos nestes dois extremos. O tipo de resposta às questões deste nosso tempo não precisa variar entre um radicalismo cego e intransigente por um lado e um desleixo cínico e descomprometido por outro.&lt;br /&gt;A falta de uma garantia externa à felicidade não impede que cada um contribua para a melhora do mundo, pois o fato de haver pouca possibilidade de que o mundo venha a se tornar um lugar perfeito não significa que nada possa ser feito.&lt;br /&gt;Se não tenho mais em quem colocar a culpa posso assumir a responsabilidade da minha história pessoal e coletiva e assumir que minhas escolhas podem ser equivocadas ou que, de fato, posso ser traído. Posso assumir também que a minha alienação e esquiva contribuirão apenas para que nada seja feito e que meu papel na história, às vezes, implica em exigir que outros se comprometam com aquilo que lhes cabe. Mas, acima de tudo, assumir que a covardia não está somente no medo da luta, mas também na artimanha da esquiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emmanuel Mello&lt;br /&gt;emmanuelmello@yahoo.com.br&lt;br /&gt;Psicanalista, Mestre em Filosofia pela UFSCar e associado do CLIN-a (Centro Lacaniano de Investigação da Ansiedade)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-7485955945883558887?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/7485955945883558887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=7485955945883558887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/7485955945883558887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/7485955945883558887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2008/04/uma-tica-para-os-tempos-de-decepo-j-nos.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-692207179785175</id><published>2007-10-28T17:40:00.000-07:00</published><updated>2007-10-28T17:51:20.203-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O desencontrado encontro humano: sobre “Encontros e desencontros” de Sofia Coppola.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Traduzir é sempre interpretar. Não basta saber uma língua para conseguir-se uma tradução bem-sucedida. Lembro-me de meu pai brincando que o famosos filme de Jules Dassin, “Never on Sunday” (1960) recebeu em Portugal a tradução de “Sempre às segundas, terças, quartas, quintas, sextas e sábados” – um chiste infame, certamente. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Por vezes também chegam a ser cômicas as soluções de tradução feitas no Brasil e os exemplos, verídicos, encheriam talvez algumas páginas. No entanto, no caso deste filme de Sofia Coppola, creio que “Encontros e desencontros” é uma solução bem-sucedida para o título original “Lost in translation” (2003) que dificilmente poderia receber uma tradução melhor em português e mais próxima da idéia do filme.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;O enredo se desenvolve no Japão, lugar onde Sofia Coppola sempre esteve com freqüência não só por causa de sua produção cinematográfica, mas também por seu envolvimento com o mundo da moda. Podemos pensar que este filme surge da relação muito pessoal da diretora com este lugar repleto de curiosidade e desencontros, onde o novo, o ultra novo da tecnologia, tenta manter o convívio com o mais tradicional de uma cultura milenar; onde a introspecção e a paciência “zen” fazem contraponto ao mais frenético da ansiosa urgência capitalista. Talvez não haja, realmente, um lugar onde os desencontros numa cultura possam ser melhor explorados do que no Japão – talvez o Brasil seja um outro tipo de desencontro social, no entanto, muito mais perverso e cruel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Numa das primeiras cenas vemos Bob Harris (o sempre maravilhosamente irônico Bill Murray) da janela de um táxi olhando curioso, toda a luminosidade capitalista de um grande centro urbano que logo percebemos não ser americano, pois no espelho em que se transformou aquela pequena janela vemos deslizar umas letrinhas estranhas e indecifráveis. Agora sabemos: poderia ser na América do Norte, mas é Tóquio. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Para falar deste desencontro na linguagem onde sempre se perde algo na tradução, Sofia Coppola transforma os japoneses em coadjuvantes de dois personagens marcados por esta estrangeirice, esse desencaixe, esse incômodo de viverem num lugar onde não compreendem nem são compreendidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;È nesse lugar de desencontro que um encontro acontece de forma casual e contingente. Ocorre de Bob Harris, um ator em fim de carreira e com um casamento de 25 anos em decomposição, e Charlotte (Scarlett Johansson), uma recém formada em filosofia e recém casada com um ocupadíssimo fotógrafo de Hollywood, estarem no mesmo hotel. Note-se que o encontro é possibilitado não pelo fato deles falarem a mesma língua (pois haviam inúmeros falantes do inglês naquele hotel – inclusive uma cantora de bar que, na evidência de que poucos a entenderiam, permite-se, mantendo a melodia, cantar de qualquer jeito e até inventar palavras) mas porque algo, para além da língua, os enlaça e os aproxima. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Uma diretora americana precisa dar as soluções para os impasses – isso é mesmo uma imposição de sua cultura. Porém, o que surpreende em “Encontros e desencontros” é que a diretora consegue escapar do senso comum e nos oferecer uma tradução bela do desencontrado encontro humano. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Depois de nos ter surpreendido com cenas que, repletas de beleza, sensibilidade e delicadeza, nos fizeram passear pelos recônditos dos mistérios do amor e do frágil encontro humano, o filme poderia ter terminado com a despedida emocionada de Charlotte e Bob; poderíamos, enquanto os créditos fossem subindo, vê-los, cada um na sua direção, tristes pela despedida, mas ao mesmo tempo felizes por haverem se encontrado na vida de forma tão bela ainda que tão breve. Sofia, porém, nos surpreende e, nos momentos finais nos brinda com uma cena belíssima: Bob vê Charlotte apesar de toda a multidão que a cerca, chama-a, e, no seu ouvido diz-lhe algo que só interessa aos dois e a mais ninguém. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Um golpe de mestre de uma cineasta genial! Sofia Coppola nos oferece a chance de inventarmos nossa própria solução para o desencontro e nos ensina que o fato de não podermos dizer tudo o que queríamos uns aos outros; o fato de, como diria Lacan, não existir a relação sexual e do encontro total ser impossível não quer dizer que os encontros não sejam possíveis. São possíveis e alguns são repletos de beleza – como esse que Sofia Coppola nos oferece.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;Sou grato a ela por isso.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 72pt;" align="right"&gt;Emmanuel Mello&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-692207179785175?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/692207179785175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=692207179785175' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/692207179785175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/692207179785175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/10/o-desencontrado-encontro-humano.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-7676525946252442366</id><published>2007-10-02T12:23:00.000-07:00</published><updated>2007-10-02T12:28:15.406-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1 style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;" &gt;A redenção da beleza&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1 style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Emmanuel Mello&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;      &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;O Belo e o Bonito nem sempre são a mesma coisa. Na verdade, na maioria dos casos, elas estão divorciadas. Melhor dizendo, a beleza pode tornar algo bonito, mas nem tudo que é bonito contém beleza. Principalmente pelo fato de que o que é bonito é aquilo que compactua com certo pensamento geral, senso comum, ferramenta da ideologia dominante e mantenedor do &lt;i&gt;"status-quo"&lt;/i&gt;. O bonito é da ordem do apaziguamento, da homeostase, da continuidade, da concordância; é ser normal, arrumadinho. Neste sentido, ser &lt;i&gt;Punk&lt;/i&gt;, pode ser apenas uma tentativa de adequação a um determinado grupo onde andar de calça rasgada é ser bonito. As mulheres atestam isso quando rejeitam o elogio de estão “bonitinhas”. “Bonitinho é o feio arrumado”, vociferam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Beleza é outra coisa. A Beleza uma expressão das mais humanas. Pode ser encontrada em qualquer lugar, em qualquer tipo de expressão humana a pesar de nem sempre dar o seu braço ao que é aceito como padrão de “boniteza”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Beleza não compactua, não negocia. Às vezes apazigua, às vezes é concordância mas sempre, invariavelmente, é libertação. Mesmo que escandalosa, mesmo gerando calafrios e arrepios, a beleza sempre produzirá a quebra das cadeias da mediocridade. Pois está do lado da verdade. Ainda que ela venha travestida de um pensamento datado ou até mesmo equivocado a Beleza revelará uma verdade. Posto que, Beleza e conteúdo são duas coisas diferentes. O conteúdo sofre do mesmo mal do que é bonito: é transitório e marcado pelo contexto histórico, social, grupal, temporal. A beleza, por sua vez, é eterna, atemporal e “supracontextual”, ainda que não seja universal – às vezes, para se perceber a beleza é preciso entrar um pouco no contexto, mas feito isso, qualquer um pode reconhece-la, ainda que não a ache bonita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas não nos enganemos: o bonito é o que está na moda e, de vez em quando, escandalizar, causar calafrios e arrepios vira moda. De repente fica na moda ser de esquerda, ser roqueiro, ser rebelde. É “chique” ouvir Beethoven, ler Saramago, citar Drummond e Lorca, amar Picasso. Ou seja, às vezes o Bonito se maquia como o Belo mas a Beleza escapa ao que é apenas bonito. Gostar de vinho, comer no Mcdonald, folhear Caras, ler a Folha de São Paulo, assistir a entrevista com a loira do mês, tudo isso pode fazer parte da mesma série: consumir o que se estabelece como bonito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A beleza, por sua vez, se veste de Arte. A Arte é a forma como a beleza se apresenta. A Arte é expressão máxima da beleza que o humano pode fabricar. A Arte não está na erudição, não está na complexidade nem no que parece inacessível à maioria. Ao contrário a Arte é o produto da cultura, da alma, da sensibilidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O artista, o verdadeiro artista, sobrevive com o dinheiro (muito ou pouco) e vive de beleza. Pois ganhe muito ou ganhe pouco nenhuma arte sobrevive sem a busca pelo que é belo. E não há nenhuma idealização nisso. Pode-se inventar um produto que caia nas graças consumistas da população, mas se não há Beleza, não se fez arte, apenas mais um produto que será esquecido no próximo verão. A Arte só existe com Beleza, “beleza pura” como diz Caetano Veloso. E é de Caetano e Gil que vêm uma das maiores expressões do que é a beleza e o seu contraste com o que a sociedade aceita como bonito: &lt;i&gt;“Eu quis cantar minha canção iluminada de sol/ Soltei os panos sobre os mastros no ar/ Soltei os tigres e os leões no quintal/ Mas as pessoas na sala de jantar/ São ocupadas em nascer e morrer”&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O artista nos mostra que a Beleza está no olhar, no modo como olhamos. Está também no ouvido, no modo como ouvimos. Assim é que Schopenhauer, filósofo alemão, que mesmo não sendo aquilo que se poderia chamar de um otimista, reconhece que “uma cena da vida cotidiana, uma cena íntima, pode ter um grande interesse ideal, se colocada em plena e brilhante luz seres humanos, atos e desejo humanos até aos mais ocultos recônditos”. É isto que o pintor faz ao impregnar de intensidade a imagem de uma mulher no simples ato de fazer um bolo. O artista oferece beleza a uma cena trivial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; text-indent: 28.05pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E se viver é uma arte, viver é oferecer beleza a cenas triviais. A beleza está na atitude. Na atitude generosa de um desconhecido. Na atitude compenetrada da criança. Na atitude de abandono ao outro que é própria dos apaixonados. Na atitude instintiva do canto de um pássaro. Na atitude corajosa de oferecer ao mundo um sentido. Na atitude criativa da arte e dos milhões de artistas que todo dia desafiam a vida para continuar vivendo. Na atitude sofrida de uma decisão que não pode mais ser adiada. No drama de assumir as responsabilidades da sua própria existência. Se viver é uma Arte que a vivamos com Beleza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-7676525946252442366?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/7676525946252442366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=7676525946252442366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/7676525946252442366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/7676525946252442366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/10/redeno-da-beleza-emmanuel-mello-o-belo.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-5810781533459185959</id><published>2007-10-01T09:50:00.000-07:00</published><updated>2007-10-01T09:54:37.459-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 22pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;Escola  Brasileira de Psicanálise - São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 22pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 36pt; font-family: Arial;"&gt;Seminário  Conjunto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 48pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;O  possível e o &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 48pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;impossível  no amor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;Cristiana  Gallo - Eduardo Benedicto - Emmanuel Mello - Fernando Prota  -&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;Maria  Célia R. Kato - Mauro Moura Mohan - Paola Salinas - Sílvia  Sato&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal; font-size: 14pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 28pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 28pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 48pt; font-family: Arial;"&gt;04/10&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 36pt; font-family: 'Arial Narrow';"&gt;“O  amor e o discurso capitalista”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 24pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 24pt; font-family: Arial;"&gt;Emmanuel  Mello&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 22pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 18pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;Local:  Casa Lacaniana - Rua João Godoy, 244, Jd. América, Ribeirão  Preto&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size: 22pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;em&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 36pt; color: maroon; font-family: Arial;"&gt;Informações  3623-0210&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size: 72pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-5810781533459185959?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/5810781533459185959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=5810781533459185959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/5810781533459185959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/5810781533459185959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/10/escola-brasileira-de-psicanlise-so.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-4303004758106296271</id><published>2007-09-10T14:35:00.000-07:00</published><updated>2007-09-10T14:39:00.869-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/RuW5UWOOkFI/AAAAAAAAABM/x3Pl1YB21H4/s1600-h/Os+quatro+conceitos.bmp"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/RuW5UWOOkFI/AAAAAAAAABM/x3Pl1YB21H4/s320/Os+quatro+conceitos.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108693111535472722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-4303004758106296271?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/4303004758106296271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=4303004758106296271' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/4303004758106296271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/4303004758106296271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/09/blog-post.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/RuW5UWOOkFI/AAAAAAAAABM/x3Pl1YB21H4/s72-c/Os+quatro+conceitos.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-6239710738206546413</id><published>2007-09-03T14:37:00.000-07:00</published><updated>2007-09-03T14:43:47.533-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Drogas e juventude: um mal-estar contemporâneo*&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/Rtx_Z2OOkEI/AAAAAAAAABE/C_2WYIcgOgw/s1600-h/fumo.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 197px; height: 155px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/Rtx_Z2OOkEI/AAAAAAAAABE/C_2WYIcgOgw/s320/fumo.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106096159559946306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A droga tem sido vista como o grande problema social e como o grande temor de todos os pais e responsáveis. A cada semana somos inundados por toda sorte de estatísticas, notícias dos mais variados tipos e com as mais variadas soluções, além de inúmeras cartilhas e manuais de prevenção. É tanta informação que ninguém sabe mais o que fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Há mesmo um mal-estar generalizado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;As famílias, culpadas, buscam desesperadamente uma solução ou mesmo uma forma de evitar o problema. As escolas tentam ensinar aos pais como descobrirem um usuário em casa e os professores não sabem o que fazer com o “garoto-que-usa-maconha” ou com a “menina-que-bebe-demais” – isto quando eles estão nas escolas. Na rede de saúde são evidentes os estragos físicos, psicológicos, familiares e sociais destes que cada vez mais cedo fazem um uso abusivo de drogas e de álcool. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sinais dos tempos. A droga tem surgido como o emblema do modo contemporâneo da sociedade e dos jovens gozarem a vida. Nada mais lógico que numa era onde a promessa de ser feliz com os objetos de consumo, a droga, algo que também se consome, se compra, mesmo que para isso tenha-se que roubar, é certamente o ícone do objeto que traz a felicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O paradoxo é que nessa busca por um objeto que satisfaça quem toma o lugar de objeto é o sujeito. Isto fica claro na toxicomania.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Há os que se drogam para acabar com a angústia e com a infelicidade. Há os que se drogam para serem aceitos ou reconhecidos e até mesmo os que se drogam para serem alguém. Há os que se drogam ou porque os pais não são presentes, ou porque os pais são presentes demais. Há os que se drogam pra serem diferentes e há os que se drogam para serem iguais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Há os que se drogam para ficarem “muito loucos” e há os que para não enlouquecer, se drogam. Essa lista pode ser infinita, pois cada um faz um uso muito particular de seu sintoma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Mas afinal, o que pode ser feito para livrar nossos jovens dos efeitos nefastos da droga e do álcool? Qual o papel dos pais neste processo? Qual o papel do Estado e das entidades públicas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E é justamente para discutir estas e outras questões que o CAPS-ad &lt;i style=""&gt;(Centro de Atenção Pisicossocial para usuários de álcool e outras drogas, um serviço do Sanatório Espírita Vicente de Paulo em parceria com a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto)&lt;/i&gt; estará realizando nos dias 14 e 15 de setembro, num dos auditórios gentilmente cedidos pelo Sistema COC de Ensino na rua Lafaiete, 261, o simpósio &lt;b style=""&gt;“Juventude e drogadição: um mal-estar contemporâneo”.&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Trata-se de um evento importantíssimo para a elaboração de uma prática mais esclarecida no que diz respeito à atenção ao jovem usuário abusivo de drogas. Informações pelo 3615-3336.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 45pt;" align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Emmanuel Mello&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 45pt;" align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Psicanalista e Psicólogo da Equipe Multidisciplinar do CAPS-ad/RP&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 45pt;" align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;* Publicado no Caderno C, Boas idéias da edição de domingo, dia 02/09/2007 do Jornal “A Cidade” de Ribeirão Preto &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-6239710738206546413?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/6239710738206546413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=6239710738206546413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/6239710738206546413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/6239710738206546413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/09/drogas-e-juventude-um-mal-estar.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/Rtx_Z2OOkEI/AAAAAAAAABE/C_2WYIcgOgw/s72-c/fumo.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-5065222198563129956</id><published>2007-08-28T07:11:00.000-07:00</published><updated>2007-08-28T08:01:12.494-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Escola Brasileira de Psicanálise- São Paulo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Seminário Conjunto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 18pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;O possível e o impossível no amor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 72pt;" align="right"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Cristiana Gallo - Eduardo Benedicto - Emmanuel Mello - Fernando Prota - &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 72pt;" align="right"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Maria Célia R. Kato - Mauro Moura Mohan - Paola Salinas - Sílvia Sato&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial; color: maroon; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”. Drummond denuncia o desencontro do amor, que apesar disso (ou por isso) enlaça a todos numa mesma oração sem vírgulas, numa mesma “Quadrilha”. Enlaça até mesmo à Lili, que se inclui aí pelo que não ama. Pela vertente da religião, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;o apóstolo Paulo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt; declara que o &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;“amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera”. Os religiosos e os poetas, cada um ao seu modo, proclamam as virtudes e os desabores do amor. Os apaixonados bendizem o amor, mas também lamentam a esperança de um dia, quem sabe, “amar em paz”. Não há quem não sofra suas conseqüências, desde o sofrimento de um amor devastador até a angustiante falta de amor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;E o que a psicanálise tem a dizer sobre o amor? Existe uma forma melhor de amar? O amor descartável e sem compromissos é uma solução? Ou é melhor, então, não amar? O amor é a solução para a violência crescente? É a solução para as drogas? O que é possível no amor? E o que é impossível? Estas são questões sérias e importantes para os desafios contemporâneos da clínica psicanalítica. Uma clínica que, segundo Freud, abre para o sujeito a possibilidade do amor e que para Lacan, inaugura um Novo Amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 72pt;" align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 72pt;" align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Emmanuel Mello&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Início 30/08 - 19:30h&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Local: Casa Lacaniana (Rua João Godoy, 244, Jd. América, Ribeirão Preto)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;em&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial; color: maroon;"&gt;Informações 3623-0210&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-5065222198563129956?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/5065222198563129956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=5065222198563129956' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/5065222198563129956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/5065222198563129956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/08/escola-brasileira-de-psicanlise-so.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-1814452610806436724</id><published>2007-08-21T06:33:00.000-07:00</published><updated>2007-09-03T14:36:53.540-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A Sociedade o desafio do uso abusivo de drogas na Juventude&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/Rsrr2mOOkDI/AAAAAAAAAA8/zhWGVYs4DsY/s1600-h/meninoderua.JPG"&gt;  &lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/Rsrr2mOOkDI/AAAAAAAAAA8/zhWGVYs4DsY/s1600-h/meninoderua.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/Rsrr2mOOkDI/AAAAAAAAAA8/zhWGVYs4DsY/s320/meninoderua.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101148851156193330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Vivemos um mal-estar social diante do qual quase sucumbimos em acreditar que nada poderemos fazer. A questão da droga (e com este termo incluindo sempre os etílicos) na juventude vem sendo constantemente alvo de debates na televisão, no rádio, nos jornais, nas salas de aula, nas igrejas, nos esquinas, nos sofás, nos telefones e etc... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Por vezes parece que não há mais nada o que fazer para livrar nossas crianças e adolescentes das armadilhas nefastas da droga e daqueles que ganham muito dinheiro com elas. Além disso, toda violência, rebeldia e delinqüência promovidas especialmente por jovens causa-nos sempre a suspeita de que algum nível de consumo de drogas estará envolvido. Partimos da idéia de que só a droga pode induzir as pessoas a cometerem tantos desatinos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Neste momento, incorremos num erro muito comum quando estamos diante de uma questão que nos mobiliza e nos angustia. Partimos para a alternativa que mais imediatamente nos traga uma nesga, um fio que seja, de esperança. Essa alternativa não precisa necessariamente ser eficaz, pois deve servir somente para acalmar a alma com qualquer coisa que possa, ainda que de longe, ser ou prometer uma solução para o problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Um mal-estar no sujeito&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Soluções deste tipo são o que poderíamos chamar de soluções sintomáticas. São soluções que os sujeitos encontram para sua vida e que em grande parte, apenas servem para postergar uma solução de fato. Em alguns casos, essas soluções se sustentam como uma alternativa viável durante muito tempo, em outros, no entanto, elas podem ser fontes de ainda mais sofrimento e angústia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;No tratamento de toxicômanos percebemos que, em vários casos, a substância química serve para resolver um conflito interno ao sujeito o que nos leva a concluir que o recurso à droga e ao álcool também pode ser uma solução sintomática. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Porém, cada um se vale da droga e do álcool por um motivo muito particular, tão particular que a qualidade e a intensidade do conflito será diferente para cada pessoa. Há os que se drogam para esquecer uma dificuldade; há os que se drogam para ter prazer; há os que se drogam para ver a vida mais “colorida”; há os que nem sentem tanto prazer mas se drogam mesmo assim pois, simplesmente, não conseguem parar de repetir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Há os que se drogam para serem aceitos; há os que se drogam para serem reconhecidos; há os que se drogam para serem alguém – “pois, pensam, nessa vida é melhor ser um ‘casqueiro’ do que não ser nada”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Há os que se drogam para acabar com a angústia e com a infelicidade; há os que se drogam porque os pais não estão presentes; há os que se drogam porque os pais são presentes demais; há os que se drogam pra serem diferentes e há os que se drogam para serem iguais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Há os que se drogam para ficarem “muito loucos” e há os que para não enlouquecer, se drogam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Um mal-estar social&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Ocorre que socialmente também existem soluções sintomáticas. Em geral a sociedade, às vezes de forma legítima, pede soluções urgentes para os seus problemas. Mas nem sempre essas soluções são as melhores ou levam à verdade. No caso da droga e principalmente do uso de drogas por parte dos jovens, a situação não é diferente, principalmente quando diante dela está um ser humano que apesar de um futuro imenso pela frente parece estar com seus dias contados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;É impossível não nos perguntarmos sobre o que poderia levar um sujeito a optar por um caminho tão destrutivo. O que faz com que uma pessoa possa se entregar tão cegamente a uma repetição incessante, tão compulsiva? Será somente o prazer? Ou será que há no dependente um desprazer, um mal-estar que o faz recorrer à droga como uma solução? Será somente o desregramento, a delinqüência, a rebeldia que conduzem os jovens por estes caminhos tão tortuosos? E mais ainda, será que não podemos fazer nada para estas pessoas? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;São questões que causam, também naqueles que não são adictos, uma angústia, um mal-estar que, por sua vez, tem gerado em toda a sociedade um estado de sobressalto constante. Praticamente todos os dias surgem nos veículos de comunicação inúmeras promessas de soluções novas para o mesmo problema. São tantas soluções que ninguém sabe o que fazer. Buscam-se culpados e vilões que podem ser desde a televisão até os próprios pais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Tanta informação tem produzido uma sociedade confusa, professores amedrontados e pais culpados e ansiosos. Uma série de cartilhas e precauções são propostas aos pais e educadores que incluem desde o monitoramento mais constante dos filhos, celulares com rastreadores GPS, vistorias regulares nos olhos, nos cadernos, nas mochilas além daquelas intermináveis conversas, os famosos “diálogos entre pais e filhos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Um mal-estar na família&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;A família sente-se culpada e os pais de uma forma geral, ao saberem do uso de drogas de seus filhos, começam sempre pela pergunta mais fácil: onde foi que eu errei? Os filhos não são os pais e por isso fazem escolhas diferentes – o que não deixa de ser uma angústia para os pais, pois nenhum pai ou mãe quer que o filho faça escolhas destrutivas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;É claro que torna-se importantíssimo, inclusive para a própria família, que ela possa perceber como, em alguns casos, existe uma dinâmica, um “mise-en-scène”, um modo de funcionamento familiar onde o toxicômano entra com um papel definido: o de elemento angustiante, sintoma familiar. A família deve procurar perceber as situações onde ela, ou parte dela, coopera para a manutenção do toxicômano nessa posição indefinidamente. Porém, não se trata de culpar a família, os pais, os irmãos ou os avós de uma escolha que, em última instância é do próprio usuário, mas de fazê-los perceber suas responsabilidades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Em geral temos muita dificuldade em diferenciar culpa de responsabilidade. O sujeito que se sente culpado, o que ele deseja é ser absolvido. Nessa posição, em geral, o sujeito espera do outro a solução do seu problema. Os pais culpados de hoje em dia, não sabem o que fazer e, desfazendo-se de suas responsabilidades, transferem a tarefa de cuidar dos filhos para equipamentos sociais como a escola, a justiça ou a igreja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Com a culpa, o que era para ser um diálogo, torna-se uma inquisição ou então uma sessão verborrágica com discursos intermináveis e angustiantes, regidos não pela vontade de saber mas por justificativas incessantes que não visam nada mais que aliviar a culpa mesma. O diálogo envolve, muito mais que conversa, uma escuta e esta nunca está presente quando há a culpa. A escuta é necessária não apenas para acolher com suavidade, mas também para repreender com energia e rigor (o que nunca é a mesma coisa que violência), pois ambas as coisas devem ser feitas no momento onde elas poderão surtir um efeito positivo. Como saber este momento se não escutando?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Alguém pode estar, a esta altura, se perguntando: “o problema real não seria a frouxidão, a falta de autoridade com que os pais se colocam diante dos filhos hoje em dia?”. Esta é certamente uma questão legítima, mas novamente, não pode ser respondida com soluções mágicas. Há, nos dias de hoje, indiscutivelmente, uma crise de autoridade. E ela não afeta somente os pais, mas de forma avassaladora também os filhos. O problema é que a autoridade só pode ser exercida sobre quem a reconhece e hoje, o difícil, o complicado é que todos nós não lidamos com as “autoridades” como lidavam nossos avós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Estamos, que fique claro, diante de uma questão que não é simples e que exige um espaço dedicado somente a ele. Mas o que importa neste momento é concluirmos que a questão da toxicomania não pode ser reduzida a uma questão de rebeldia ou má educação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Um mal-estar na rede pública&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Na tentativa de encontrar uma solução, são questionadas também as responsabilidades dos governantes e da rede saúde. A grande e perigosa solução que se encontra na maioria das vezes é a da internação, isto é, um lugar onde se possa “proteger” esse menino ou essa menina. Aqui é necessário fazer um alerta: em alguns casos, a solução da internação esconde, na verdade, uma necessidade social de manter seus problemas afastados à boa distância. Essa atitude reedita, no campo da drogadição, a mesma exclusão que se pretendia com a loucura e que toda luta anti-manicomial veio denunciar. Mais uma vez nos vemos diante de uma recusa à escuta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;A internação deve ser usada sempre que necessário e é importante que existam equipamentos públicos disponíveis para isso, no entanto não se pode tomá-la como paradigma de tratamento para a drogadição sob pena de acabarmos repetindo institucionalmente a mesma armadilha da toxicomania, a saber, a interdição do sujeito que impede que ele apareça, que tenha voz, que fale sobre seu sofrimento. Permitir que a segregação seja tomada como solução ao problema da toxicomania é apenas repetir os efeitos da substância no sujeito que dela se vale: um desaparecimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;O modelo de assistência desenvolvido no CAPS-ad* é um exemplo bem-sucedido de que na maioria dos casos a internação integral é desnecessária, ou até mesmo, mais do que isso, contra-indicada. Existem inúmeros CAPS-ad espalhados por vários municípios do país com resultados expressivos. O usuário de drogas pode (e em muitos casos deve) continuar mantendo seus vínculos sociais, familiares e ocupacionais. Para isso, o CAPS-ad dispõe de um tratamento aberto onde o tempo que o sujeito passa na instituição vai depender do caso particular que ele apresenta. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;st1:personname productid="em Ribeir￣o Preto" st="on"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Em Ribeirão Preto&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt; o CAPS-ad funciona há onze anos tendo atendido, pelo SUS, a mais de 4800 pacientes de todas as idades. E é justamente para melhorar o atendimento à população de crianças e adolescentes que o CAPS-ad estará realizando nos dias 14 e 15 de setembro um simpósio cujo tema será &lt;b style=""&gt;“Juventude e drogadição: um mal-estar contemporâneo”. &lt;/b&gt;O local será um dos auditórios gentilmente cedidos pelo Sistema COC de Ensino na rua Lafaiete, 261 &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Trata-se de um evento importantíssimo para a elaboração de uma prática mais esclarecida no que diz respeito à assistência ao jovem usuário de drogas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 72pt;" align="right"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Emmanuel Mello&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 72pt;" align="right"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;Psicólogo da Equipe Multidisciplinar do CAPS-ad&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 72pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:9;"  &gt;*CAPS-ad (Centro de Atenção Pisicosocial para usuários de álcool e outras drogas) situado à rua Pará, 1310, Ipiranga (3615-3336). O CAPS-ad de Ribeirão Preto é um serviço do Sanatório Espírita Vicente de Paulo em parceria com a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-1814452610806436724?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/1814452610806436724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=1814452610806436724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/1814452610806436724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/1814452610806436724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/08/drogas-e-juventude-um-mal-estar.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/Rsrr2mOOkDI/AAAAAAAAAA8/zhWGVYs4DsY/s72-c/meninoderua.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-8135549995625843411</id><published>2007-08-20T14:58:00.000-07:00</published><updated>2007-08-20T15:07:47.283-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/RsoPMGOOkCI/AAAAAAAAAA0/YAEZrRJi61M/s1600-h/Buenos+Aires.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/RsoPMGOOkCI/AAAAAAAAAA0/YAEZrRJi61M/s320/Buenos+Aires.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100906228453642274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas de Buenos Aires, o encontro com um homem petrificado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-8135549995625843411?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/8135549995625843411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=8135549995625843411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/8135549995625843411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/8135549995625843411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/08/nas-ruas-de-buenos-aires-um-encontro.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aIdPp7CR0Tw/RsoPMGOOkCI/AAAAAAAAAA0/YAEZrRJi61M/s72-c/Buenos+Aires.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5384506112241164851.post-3488822818945722081</id><published>2007-08-20T14:41:00.002-07:00</published><updated>2007-08-20T14:44:11.390-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 36pt;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 20pt;"&gt;A crise da verdade e da esperança&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;“Esqueçam tudo o que eu escrevi” alertou um presidente da república ainda no primeiro biênio de seus oito anos de governo. “Ser oposição é uma coisa, governar é outra coisa bem diferente”, diria o seu sucessor. Para além de todas as implicações e complicações da árdua tarefa de governar um país, o que estas declarações apontam é para o caráter transitório, relativo e limitado não só da política brasileira mas da própria condição humana. Não se trata apenas do fato de que alguns deliberadamente deixam de acreditar (se é que acreditavam) naquilo que dizem. O que acontece é que, hoje, mais do que nunca, pouca gente consegue afirmar com toda certeza que a sua teoria será válida para todos os lugares e para todos os tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Todas as épocas portam os desafios e as possibilidades que lhe são peculiares. Muito cuidado, portanto, antes de nos deixarmos tomar por qualquer saudosismo ressentido do tipo “naquele tempo isso não era assim!”. De fato, “isso” não é “assim” — bom ou mal que seja — de forma permanente. Desde Heráclito, filósofo grego do século IV a.C. o devir é a marca da existência humana. “Um homem não pode entrar num rio duas vezes, posto que nem o rio, nem o homem será o mesmo”, acreditava. Mas o pensamento de Heráclito foi engolido pela posição mais cômoda de Parmênedes, também filósofo grego, que se contrapunha ao devir por uma questão de ordem prática: se o ser está em constante movimento, nenhum conhecimento é possível. Parmênedes nos devolve, com isso, aquela esperança de que as coisas podem, em algum momento, encontrar o seu lugar e não nos pegar mais de surpresa, com mudanças inesperadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Na mordenidade, a civilização ocidental se depara com uma pergunta constrangedora: afinal, o que é a verdade? A partir deste momento ficou claro que assumir uma posição de certeza sobre o que quer fosse seria muito complicado. Conceitos como moral, justiça, autoridade começaram a perder seu lugar de inquestionabilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Se por um lado o pensamento moderno nos possibilitou avanços sociais e intelectuais inquestionáveis, por outro, nos legou problemas sérios. O mundo de hoje convive com uma angústia que herdou destas questões surgidas na modernidade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Vivemos o que se convencionou chamar de “queda das utopias”. Ninguém acredita muito, ou durante muito tempo, em qualquer ideologia que se levante com a promessa de mundo perfeito. A “verdade” se tornou um conceito que, por mais desejado que seja, sempre deixa uma pontinha de dúvida. Não é mais tão fácil acreditar em políticos honestos e em governos transparentes. Perdemos a capacidade de simplesmente acreditar em promessas. “Perdemos a ingenuidade”, dizem alguns. “Alguém sempre esconde alguma coisa”, proclamam outros. “Ninguém é totalmente puro e verdadeiro naquilo que faz ou diz”, completam. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Disso decorre um efeito dos mais complicados de nossas sociedades ditas pós-modernas, a saber, sofre-se hoje de um enfraquecimento da palavra. Um enfraquecimento do poder de se comprometer com aquilo que se diz. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;A palavra se enfraqueceu como fruto do mesmo movimento que dá início à chamada “queda das utopias” na cultura ocidental. O mundo que sobra como resto da segunda grande guerra é um mundo descrente da idéia de uma humanidade em constante progresso moral. Quarenta anos depois, a queda do muro de Berlim, tomada como marco histórico do fim da “guerra fria”, simbolizava o desfalecimento de um mundo até aquele momento dividido ideologicamente de forma clara — onde bastava escolher um lado para ter-se escolhido também o seu inimigo. Da abertura na Rússia (Perestróika) ao fenômeno chinês, o que se mostra é um mundo cada vez mais desenhado como um imenso bloco capitalista e por que não dizer, ocidentalizado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Muito já se explorou sobre as conseqüências sociais de uma geração nascida num contexto onde faltam às utopias sociais. Que tipo de sujeito é esse que não acredita em nenhuma grande ideologia social? É possível pensar em cidadania, falar de ação social num mundo onde o principal desejo de um jovem é poder exibir a grife da moda? Que tipo de sociedade surge daí? Que tipo de humanidade? Que tipo de política? Que garantia temos? Que esperança?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;De fato o que se perde na queda das utopias são duas coisas: a garantia da esperança e a esperança de uma garantia. Essas perdas fazem surgir na nossa sociedade, basicamente, dois fenômenos, duas vertentes de uma mesma angústia: o fundamentalismo e o cinismo. O fundamentalismo é uma negação pela via do “não pode ser”. “Não pode ser que não haja garantias!” E sendo assim, eu me agarro por decreto em qualquer discurso que a prometa. Nego a perda da garantia da esperança, com algo que possa de alguma forma iludir, dissimular a sua ausência. Os fenômenos eleitorais americanos dão bem o tom do que falo aqui. Bush foi reeleito com base num discurso fundamentalista e conservador (se ele acredita nisso é uma outra história).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;O cinismo por sua vez é uma resposta angustiada à perda da esperança de uma garantia. No cinismo não se crê mais &lt;st1:personname productid="em garantias. N￣o" st="on"&gt;em  garantias. Não&lt;/st1:PersonName&gt; se crê que alguém vá mesmo cumprir o que disse. Não se crê mais que o mundo possa ter solução. Não se crê que alguém vá ser punido por contrariar a lei. O exemplo proveniente do senado federal é no mínimo emblemático – o presidente Renan Calheiros não se sente obrigado, nem, muito menos, constrangido a responder de forma clara às acusações que lhes são imputadas. Para ele, basta o ditado de que uma mentira dita cem vezes torna-se verdade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;No cinismo a lei e a moral são fracas, assim como a palavra. Se não há garantias, também não há compromisso. Não há por que se comprometer com nada. Neste caso pode-se pensar nas últimas eleições municipais brasileiras, muito marcadas por uma atitude cínica para com o quadro eleitoral e personificada na opção pelo voto nulo e pela abstenção. O voto nulo e abstenção podem ser expressões de uma posição política bastante consciente. No entanto, essa via pode caracterizar, não uma convicção de protesto, mas, simplesmente, uma atitude do tipo “eu não tenho nada a ver com isso” — um ledo engano. Este tipo de participação política torna-se, então, servo de um desejo de não se comprometer nunca, para poder sempre lançar um olhar sarcástico do tipo “eu-sabia-que-ia-dar-errado”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt; Contudo, a queda das utopias e a perda da esperança numa ideologia que garanta em si mesmo um mundo melhor não precisa nos lançar nem no fundamentalismo e muito menos no cinismo. O tipo de resposta às questões deste nosso tempo não precisa variar entre um radicalismo cego e intransigente por um lado e um desleixo cínico e descomprometido por outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;De fato, a descrença em uma garantia externa pode e deve fazer com que cada um construa e contribua para um mundo melhor. O fato de haver pouca possibilidade de que o mundo venha a se tornar um lugar perfeito não significa que nada possa ser feito nem que não haja motivos para que algo seja feito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Mais ainda, se não tenho mais ninguém em quem colocar a culpa posso assumir a minha responsabilidade na história pessoal e coletiva. Posso assumir que de fato minhas escolhas podem ser equivocadas. Assumir que, de fato, o meu candidato pode me trair. No entanto, posso assumir também que a minha alienação e esquiva contribuirão apenas para que nada seja feito. Assumir que meu papel na história implica em (por que não?) desejar e lutar para que outros se comprometam com aquilo que lhes cabe. Mas, acima de tudo, assumir que a covardia não está somente no medo da luta, mas também na artimanha da esquiva. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Emmanuel Mello&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5384506112241164851-3488822818945722081?l=emmanuelmello.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/feeds/3488822818945722081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5384506112241164851&amp;postID=3488822818945722081' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/3488822818945722081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5384506112241164851/posts/default/3488822818945722081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://emmanuelmello.blogspot.com/2007/08/crise-da-verdade-e-da-esperana-esqueam.html' title=''/><author><name>Psicólogo e Psicanalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09471571374397272780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
